| Entrevista - Inês Lopes (ADCR Paço dos Negros) | ||||
|
|
-Inês, como foi o percurso da “Miúda” Inês Lopes na modalidade até aos dias de hoje?
Eu, como muitas das jogadoras do nosso distrito, comecei a jogar futsal em adolescente, no ciclo, na equipa de Desporto Escolar. Na altura não existiam muitas equipas federadas tanto de futsal como de futebol 11 e oportunidades destas não estavam sempre a aparecer. Foi de lá que surgiu a ideia de formar uma equipa federada, pois a vontade de continuarmos a jogar - não só nossa, mas também do nosso treinador - era grande, mesmo depois de sairmos da escola e já não termos idade. Foi assim que se formou a primeira equipa em que joguei. Inicialmente, pertencíamos à ADCR Paço dos Negros, assim como a equipa de futebol de 11 da altura, e, posteriormente, associamo-nos à Associação Desportiva do Fazendense. Contudo, o núcleo de jogadoras era, na sua grande maioria, sempre o mesmo, assim como o treinador e o trabalho desenvolvido durante os 6 anos que durou esse projecto. ilopes Paralelamente ao trabalho que desenvolvia no clube, tive também a sorte de puder pertencer à selecção distrital de Santarém, onde tive diferentes contactos com pessoas ligadas à modalidade e onde aprendi bastante. Mais actualmente, com a entrada para a Universidade e alguma falta de disponibilidade, pensei abandonar a prática federada. Contudo, isso não chegou a acontecer e acabei por ter uma oportunidade de jogar na equipa de futsal da ADCR Paço dos Negros, a qual aceitei com muito agrado. -Tem sido difícil conciliar os estudos com a prática da modalidade? Que comentários te merece essa situação e qual julgas ser a forma dos agentes desportivos poderem intervir nessa matéria? Muitas vezes não é nada fácil conciliar os estudos com a prática da modalidade, essencialmente, porque o estudo é algo que nos consome muito tempo fora do horário fixo das aulas. Assim, como os treinos e jogos fazem parte desse tempo, muitas vezes somos obrigados a ter uma organização bastante rígida em relação ao mesmo. No meu caso, deste pequena que me habituei a fazê-lo e, por isso, hoje é algo que é-me completamente normal, com a diferença que, por vezes, sei que tenho que fazer escolhas mais drásticas e que as mesmas têm consequências um pouco mais “sérias” na minha vida estudantil, do que há 5 anos atrás. Acho que os agentes desportivos, face à idade e à fase do ensino que cada jogadora está a atravessar, deve ter em atenção alguns aspectos. Primeiro, não deve pressionar a jogadora quando esta, de facto, está em alturas complicadas - como o final de período ou semestre – pois, por vezes, por mais que tentem, nem sempre conseguem conciliar tudo nas mesmas alturas. Em segundo lugar, nos casos em que as jogadoras estudam noutras cidades longe da equipa, acho fundamental tentarem realizar pelo menos um treino por semana no qual elas possam participar, de modo a que se sintam inseridas na equipa e contactem com as colegas. Por último, do meu ponto de vista, acho ainda de extrema importância que os dirigentes se preocupem em acompanhar estas jogadoras um pouco mais de perto, ou seja, tentar perceber se a jogadora treina regularmente durante a semana, pelo menos a sua condição física, de modo a dizer “estou aqui e estou atento ao teu esforço”, e, tentar informá-la, sempre que possível, do que está a ser treinado durante a semana – isso fará com que se sinta que não está esquecida e que é importante que tente saber o que está a ser trabalho, pois faz parte da equipa. Tenho a certeza que, se todas as equipas com jogadoras a estudar fora ou dentro da cidade tivessem estes “cuidados” (que sei que nem sempre são fáceis), a maioria delas daria e traria muito mais à equipa do que possivelmente dá ou traz neste momento. -Miúda, porquê Paço dos Negros? Porque teve e têm duas coisas que eu considero fundamentais para se puder progredir no futsal: um grupo de boas jogadoras que se relacionam de uma forma muito saudável e um staff muito empenhado, com ambição e amor à modalidade, que dá às jogadoras um suporte incrível. -Quais são os teus objectivos para este ano? Achas que existem condições para lutar pelo título? Sendo tu também um deles, como avalias os vários reforços que Paço dos Negros efectuou para esta época? Acho que os Paço dos Negros teve muita inteligência e força de vontade, aliada a uma excelente organização de recursos humanos – que permitiu a junção de um grupo que, para mim, é sem dúvida uma dos melhores do nosso distrito a todos os níveis, dando especial destaque à formação de camadas jovens (equipa júnior) – sem as quais esta modalidade nunca poderá, no futuro, dar “passos realmente grandes” – e à promoção da visibilidade do futsal do nosso distrito e do nosso género, através da criação deste site que - aproveito aqui para dizer - é louvável! Acabando com o início da pergunta, acho que não somos o forte candidato ao título, pois jogamos ainda à relativamente pouco tempo juntas, ao contrário de equipas como a do CEF ou a do Riachos, contudo temos equipa, treinador e trabalho realizado que leva-nos a ter a esperança de sermos um dos grandes favoritos. O grande objectivo para este ano (para além do meu grande objectivo primordial de todos os anos – aprender sempre mais e mais futsal) é preparar-me bem com o meu grupo, desenvolvermos o melhor trabalho possível este ano, para que para o próximo sejamos então o grande favorito ao título e possamos ir representar Santarém cada vez melhor na Taça Nacional. -Na tua opinião, o que falta ao futsal distrital de Santarém e como pode o mesmo evoluir? Treinadores!!! Mais e melhores treinadores! Pessoas formadas que exijam às nossas jogadoras – sim, porque falta de boas jogadoras no nosso distrito nunca existiu desde que pratico a modalidade – mais do que umas fintas e uns bons remates! Santarém necessita de estrategas, pessoas que pensem o futsal e saibam transmiti-lo às jogadoras! Para passarmos de boas jogadoras a jogadoras inteligentes! Para isso é preciso algo que não é assim tão complicado: cursos de treinadores melhor preparados e com custos mais baixos que motivem qualquer pessoa que goste da modalidade e a faça ver que esse curso é uma boa oportunidade para depois formar mais uma equipa, formar mais jogadoras e aumentar assim a competitividade – que é o que eleva a qualidade de qualquer desporto. Poderia dizer muitas mais coisas em relação ao que poderia ser feito para evoluir o futsal em Santarém, no entanto, reduzo a lista a duas que acho prioritárias neste momento: o apoio financeiro aos clubes, pois sem dinheiro e condições não há equipa que resista por melhores jogadoras e treinadores que possa ter; e, a promoção de espectáculos (jogos, taças, torneios) em diferentes zonas do distrito com entrada livre e gratuita! fonte:paconegrosfutsal.com |

























